Navalhas, serrotes e até giletes. Nenhum destes é, no mínimo, capaz de provocar sequer um reles arranhão em sujeitos descaradamente invasores da tão combalida moralidade pública brasileira. Após dias de investigações a cerca de casos e mais casos vis de corrupção, sob a tutela de uma tal de Operação Navalha, nenhuma gota de sangue dos verdadeiros culpados ou que seja, acusados, de tamanho crime foi jorrada ao nosso tão esperado deleite. Igual semelhança é apenas mera coincidência.Crime que, ao que parece, até já virou consenso geral como sendo dos mais normais e rotineiros entre os digníssimos senhores votados por nós, parlamentares desse país. Depois nos acusam de péssimos eleitores. Isso já não causa nem indignação. Mas causa repulsa. Repulsa e ódio por sermos nós, os imensamente onerados contribuintes e verdadeira mão-de-obra desse Brasil os mais diretamente afetados e sangrados com toda essa tentativa de corte. Que navalha é essa, não corta nem a carne? Ou será que esta lhes afigura como suficientemente espessa e impenetrável?
Calheiros, Zuleidos, Passos, Rondeaus, Jacksons e demais personagens. Vítimas em potencial de tamanha injustiça? Quer dizer que todos são inocentes? Em suas palavras, os donos da verdade: “Sou um homem honesto e nunca cometi improbidades em vida pública”, “Que absurdo se fazerem tais denúncias sórdidas de minha pessoa”, “Quem, eu? Não paguei”, “Eu não fraudei”, “Eu não errei”. Quem errou? Nós somos errados? Alguns até somos. Somos sim, por darmos crédito a figurinhas mais que repetidas e presentes em constantes listas de esculacho nacional, que vira e mexe aparecem de novo nas TV’s, rádios e porta-vozes dos santinhos do pau oco. Nosso querido Pedro Passos está aí para comprovar.
Sinceramente, se não fosse o incrível desprendimento patriota de nossos demais digníssimos colegas de blog para nos brindar com esse recorrente tema, nem sei se me ateria ao trabalho de comenta-lo. Sei que isso soa estranho para um promissor projeto de jornalista (ou seria projétil?), mas, jogando bem limpo, o que irei ganhar nomeando javalis, cascavéis, ratos e ferozes coisas animalescas? Ter na ponta da língua cartas de defesa, dar notícia da prisão de policiais federais envolvidos em escandalões (até tu PF?, embora não descarte a incrível importância dessa instituição para o cumprimento de alguma das atribuições públicas desse país), bisbilhotar a intimidade de um pobre senhor que reconhece por escuta telefônica a voz de seu sobrinho? Até porque, ao invés de ver certas carnes ferirem, tenho medo que a minha doa em maior proporção.
Só tenho a lamentar pelo miserável que ainda vai demorar para ver um filé mignon em sua marmita. E por mim, por insistir em não em voltar para esse festival de objetos cortantes voando sobre nossas cabeças. Que bom seria se decapitassem algumas leis, justiças ou legalidades que, de terem suas visões tão tapadas por viseiras, não vêem muito do que as ajudaria em suas originais funções de se fazerem cumprir como leais instrumentos guardadores de nossa proteção. Quem sabe assim poderia andar pela Esplanada ou até o Congresso (se é que lá é mais perigoso), sem me molhar com uma possível chuva de navalhas, giletes, serrotes e machados que sejam. Falo isso por experiência própria. Não fui almejado ainda, mas moro próximo desses acontecimentos, há poucas quadras da enxurrada cortante. Ah, mas não se preocupem comigo, já conheço essa velha história da navalhas em corte!
Tema da Semana
Uma coisa que me irrita...
Semana passada tiramos um recesso... e como sempre existem coisas que nos irritam... o que mais te irrita??
sexta-feira, 1 de junho de 2007
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