Tema da Semana

Uma coisa que me irrita... Semana passada tiramos um recesso... e como sempre existem coisas que nos irritam... o que mais te irrita??

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Minha Terra tem Paineiras

Eu sei que é chato falar mal da cidade onde moramos. Ainda mais quando também nascemos ali. Soa ingrato, insolente. É como desmerecer os esforços de quem sempre te acolheu, ofereceu refúgio, embalou seus sonos. Cuspir no prato em que comeu, como diriam os populares. Mesmo ciente de tudo isso, não posso ser brando com Brasília. Está passando da hora dessa cidade, cega de orgulho, ouvir umas verdades. Preparai-vos.

Brasília tem um grande problema: aqui se está tão bem quanto num campo de concentração. As grandes capitais, em sua maioria, assemelham-se a colméias, frenéticas e caóticas, abelhinhas atarefadas zunindo pra todos os lados. Mas uma colméia pressupõe movimento e dessa dádiva, infelizmente, Brasília não goza. Não sei se é a horizontalidade, se é o sol reverberando nas fachadas esbranquiçadas, quem sabe o silêncio do planalto, o fato é que essa cidade transpira uma modorrência insuportável. Desértica, estéril, sufocante. E campo de concentração.

Ninguém conversa. Ninguém ajuda. Ninguém se importa. A geografia cartesiana do Plano Piloto, dos seu edifícios, transcendeu o concreto e contaminou a vida dos seus moradores. Aqui se respira, se convive e se sonha matematicamente.

Brasília tem outro problema, tão incômodo - ou mais – quanto o primeiro: paineiras. Em tempo, paineiras são aquelas árvores, tão abundantes nos quase-bosques da capital, cujo bojo arredondado lembra uma barriga extravagante e cuja galhada ressequida lembra, na melhor das hipóteses, os cemitérios mais mórbidos da Escandinávia. As paineiras são irritantes, porque refletem a doce ironia da natureza com relação à Brasília. A árvore é grande como um paquiderme, pançuda, espinhosa, seca e retorcida. Até aí nenhuma sutileza, apenas uma clara demonstração de como a natureza vê a capital federal. O problema - sarcasmos dos sarcasmos – é que, exatamente nessa época do ano em que estamos agora, as paineiras resolvem se desabrochar em mil suntuosas flores cor-de-rosa, poéticas, cândidas e magnânimas. “Eu imito sua aspereza e feiúra para caçoá-la, mas quando quero mostro as belezas de que sou capaz, e das quais você nunca conseguirá chegar aos pés.” Diz a natureza para Brasília, satirizando a pretensão dos homens que ousaram construir, com pedra e cimento, uma obra que se faz senão com os átomos do desconhecido.

P.S.: Minha visão acerca de Brasília está bem representada num filme do qual tive o prazer de participar e que foi finalista do último festival de curta-metragens do Terraço Shopping. O vídeo se chama “O Peixe do Povo” e está disponível no YouTube, sob esse nome.

12 comentários:

young vapire luke lestat disse...

Cara vi o vídeo, muito boa a proposta.A ótica aplicada nesta produção é muito interessante.
Mostra uma pessoa comum, falando de sua visão da cidade capital, de um país de tantos contrastes.

Parabéns

L.Sakssida

Jonas Nobre disse...

muito bom o blogger.

uma visão sobre uma capital.

abraços

Anônimo disse...

Achei muito bom o texto. Uma visão diferente sobre uma cidade que é amaldiçoada por muitos brasileiros (rs).

Anônimo disse...

valew pelo comentário.

tem textos muito bons.Parabéns.

abraços !

WiLL Maia disse...

aee cara mto bom o textos mesmo
ta de Parabéns

Abraço!
ate mais

Anônimo disse...

Oie... Obrigada pela visita no meu blog... O seu blog é ótimo os textos são deliciosos de ler.. Parabéns. Bjos

Anônimo disse...

Pois é, toda cidade tem seus defeitos e qualidades. A ponto alto disso é sabermos qual pesa mais, se os defeitos ou suas quailidades. Ou ainda se eles se entrelaçam.

Diego Moretto disse...

Rapz, adorei o curta. Bom, gosto pra caramba deste meio cinematografico e gostei mesmo deste. A questão do peixe eu realmente concordo. É do povo!!! HAUHAUHA.

Obrigado por comentar no meu blog. Adorei. e foi mal a demnora, mas agora so da pra responder fds. abs e volte sempre!

Anônimo disse...

Gosto de Brasília, relembro saudosista o tempo em que aí morei...
Bom texto!
Abraço

http://pontodevistablog.zip.net

Unknown disse...

Quem recomenda sou eu, agora, meu querido! Esse blog é tudo! E um dia também compro um livro seu. Parabéns de verdade.

E muito obrigada pelo comentário.

Kristiano Segovia disse...

Muito bom o texto
retrata bem o que é essa ilha no meio do cerrado...

parabens!

Anônimo disse...

Vc escreve muito bem.
Gostei do seu blog.
As palavras tem uma força surpreendente.

Ahh e obrigada pelo comentario.