Este colunista, que nas próximas quintas terá o prazer de partilhar suas inquietações e impressões com o público do Opinatorium, mereceria, decerto, que o nobre leitor desviasse dele na rua. Ou ainda que lhe atirasse tomates, quem sabe. Toda cautela é pouca quando se trata desses indivíduos cuja bizarrice pode perverter a ordem das boas mentes.
Muito cedo na vida, seu pensamento já vagueava pelos perigosos terrenos da fantasia e da ilusão, impregnado de histórias absurdas, aventureiras, românticas. Influenciaram-lhe especialmente uma classe muito particular de personagens, heróis do faz-de-conta alçados à condição de gurus supremos, exemplos de conduta e comportamento humano para o pobre colunista.
Quasímodo, o corcunda de Notre-Dame; o fantasma da ópera; a Fera, enamorada da Bela. Este colunista já quis ser todos eles. Seres repudiados por causa de suas deformidades físicas, marginalizados do mundo graças ao seu aspecto bestial, demônios que, por algum infeliz engano, foram colocados no Éden. E eis que essas aberrações, justamente esses monstros, resolvem apaixonar-se pelas mais belas moças da literatura, as mais puras e mais angelicais. E todos os sofrimentos pelos quais passam, as dores que expiam, todo o amargor que suportam por conta do amor impossível, tudo isso soa muito bonito aos ouvidos do malfadado colunista. A ponto de ele jurar que carrega uma imensa corcunda nas costas.
Mas há momentos em que mundo concreto chama com força. O passar dos anos, a vida adulta, o trabalho e sabe-se lá o quê mais, acabam injetando uma cruel dose de realidade na mente fantasiosa. E aí este colunista percebe que não mora num campanário de Igreja no século XVI, não vive de tocar os sinos nem é apaixonado por uma deslumbrante cigana. É nessas horas que ele escreve. Só assim para disfarçar o fato de que a vida não é uma ficção.
Tema da Semana
Uma coisa que me irrita...
Semana passada tiramos um recesso... e como sempre existem coisas que nos irritam... o que mais te irrita??
quinta-feira, 17 de maio de 2007
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