Tema da Semana

Uma coisa que me irrita... Semana passada tiramos um recesso... e como sempre existem coisas que nos irritam... o que mais te irrita??

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Traço do arquiteto?

A cidade cresceu de uma maneira que não foi prevista por nenhum dos urbanistas. Uma cidade que foi criada nos moldes pós-modernos de cidade cumprindo também uma função de inclusão social. Mas Brasília fundamenta-se em dois grandes problemas principais: a separação social visível e extrema friezas de relacionamentos.

O incrível que Brasília vive uma segregação social que é perceptiva aos olhares. A imensa massa de pessoas que estão fora do dos padrões de Plano Piloto não interagem com as pessoas que vivem no Plano Piloto. Quem ocupa essas áreas que não eram determinadas para habitação é a população de pedreiros, mestres de obras, ajudantes e pequenos comerciantes que vieram buscar o el dourado brasileiro. Pessoas que não estavam nos planos dos urbanistas, no qual pensavam que iriam fazer Brasília e iriam para suas casas. Com esse erro de cálculo Brasília já nasce com duas cidades que não existiam no Plano Original da capital. Sendo uma cidade de atração populacional, pelos incentivos que o Governo dava e a falta de mão de obra especializada. Cada vez mais a cidade recebia mais pessoas das classes baixas do nordeste e do norte, era preciso afastá-las do centro da sociedade que ira habitar o Plano Piloto, então se cria as cidades satélites. No qual produzia um afastamento físico entre as classes. E a geografia também ajudou bastante esse isolamento físico, por ser um planalto, quase sem morros a serem ocupados e “sujarem” a vista da Capital.

Mas esse processo de afastamento da população de baixa renda se solidifica quando os colégios particulares aumentam em numero. Pois até oitenta as escolas públicas conseguiam integrar essa população afastada com a população de classe media que vivia no Plano Piloto. Com o aumento das escolas privadas as famílias de classe média e média baixa passaram a colocar seus filhos nas escolas privadas, onde os filhos da população mais carente não tinham condições de por seus filhos. O próprio autor que lhe escreve estudou em um colégio público quando ainda se integrava socialmente as classes baixas e medias da sociedade brasiliense. A segregação assim se consolidou, os que moram no Plano Piloto, vivem e morrem sem precisarem sair do Plano. Já quem não mora, nutri o sonho de um dia morar no Plano e também o melhor mercado de empregos estão concentrados no Plano Piloto.

Só que o Plano sofre de um fenômeno, muito peculiar do plano que não é muito evidenciado nas outras cidades satélites. No plano os relacionamentos entre as pessoas são muito frios, distantes. Normalmente não se conhece o vizinho, os círculos de amigos muitas vezes são restritos, por quem você convive no seu cotidiano, que podem ser do seu trabalho, do seu local de estudos. São poucos os relacionamentos de bairro. Os vizinhos que se visitam, ou os amigos de quadra. A cidade por ter distâncias grandes a serem percorridas proporciona esse tipo de afastamento das pessoas. Um relacionamento de amizade que seja feito entre entes, que não tem o mesmo cotidiano, tendem a esforçar muito para que esse relacionamento caía no afastamento comum.

Brasília é assim uma cidade que trás dentro de si contradições perversas, onde por um lado quer ser a capital do mundo pós-moderno, mas ao mesmo tempo surge uma sociedade segregada socialmente. Nasce como uma cidade que os comércios locais são a principal fonte para maior proximidade dos moradores locais, na verdade cria-se um problema de cidade grande, onde as pessoas não se falam.

10 comentários:

Diego Moretto disse...

Brasília é uma cidade que desejo muito conhecer...vc foi bem feliz na descrição, parabens!!! Esta coisa da economia autonoma é um serio problema aqui em SP...triste sabe q aí em Brasilia tbm é assim.abs!

Anônimo disse...

olaa!
valew por passar no meu blog,e o seu tambem é muito bom.
te+...

Pedro disse...

Que belezinha, o David tem um blog.
E eu sou de opinião que a apartação foi além do planejado: o que era subúrbio está se desenvolvendo e tornando-se alternativa de vida pra classe média. É claro que persistem problemas de cidade grande, mas a anterior periferia está bem menos periférica do que antes. A população de baixa renda mesmo tá indo pro entorno. Ou seja, é uma espécie de elitização da periferia. Curioso, não?

David Faustino disse...

Pedro iteressante falares nisso, evidentemente por exemplo Taguatinga já não é tão periferia assim, por exemplo existe uma valorização dos apartamentos de taguatinga, existe também uma maior independencia do Plano piloto o que resulta cada vez mais a população mais pobre é jogada para lugares mais distantes. Por exemplo santa maria, recanto das emas, barragem do descoberto, e muitas tendo que viver fora de brasilia, nas cidades do entorno.

Cris disse...

Brasilia...
Nunca fui até lá, mas dizem que pode ser muito fria no inverno. nao só pelo tempo, mas tb por causa das pessoas. Quero conhecer para ter mais o que falar...

http://reticenciasprincipais.blogspot.com/

Anônimo disse...

Eu sou maluco por conhecer Brasília, conheco algumas pessoas que moraram ai e elogiam muito, depois desse texto fiquei com mais vontade de conhecer

Anônimo disse...

eu ainda não conheço Brasiia, mas espero conhecer em breve!! abraços!!

Anônimo disse...

Valew pela visita no oloucomeu, fike a vontade para voltar sempre, hehehehe... Cara, conhecer brasilia e uma vontade q eu tenho, creio q ainda terei uma oportunidade...
Abs

Lari Bohnenberger disse...

Muito bom texto, David!
Eu infelizmente não conheço Brasília! Mas tenho uma amiga que se formou em farmácia comigo, e foi morar aí! Ela falou maravilhas sobre as possibilidades de trabalho para a nossa área!
Exelente blog!
Bjs!

Tássia Rebelo disse...

David Faustino:
(respondendo) Eu também não acredito muito no sofismo, só usei para ilustrar uma coisa que não tratava de moral, nem de verdades... E claro que não dependem de quem fala, no caso dependeria da situação como um todo.. Enfim...
Ah, obg =] também gostei muito do seu blog. Não vou comentar nada agora sobre o texto pq eu não conheço brasília heheheh... maaas adorei o que li.
=*